As enfermeiras da arábia saudita, frustrar-se por assédio e a rejeição social

Rihab entrou na escola de Enfermagem cheia de sonhos e com a convicção de que o seu trabalho lhe permitiria cumprir uma nobre missão, mas hoje, aos 26 anos, esta jovem se arrepende de ter decidido ser enfermeira na Arábia Saudita.

Uma enfermeira do hospital de Mina, na Arábia Saudita, atende a uma mulher chinesa ferida em um tumulto de peregrinos em 2004. EPA/Mike Nelson.

Segunda-feira 03.09.2018

Terça-feira 28.08.2018

Sexta-feira 31.08.2018

Ao igual que Rihab, muitas de suas companheiras se sentem frustradas por rejeição que sofre por parte da conservadora sociedade saudita, ao que se soma ao constante assédio que sofrem dentro dos hospitais.

“Desde que comecei a trabalhar, eu sofro de forma permanente o assédio verbal e os olhares de reprovação dos homens que visitam o hospital”, explicou à Efe Rihab, que preferiu não dar seu sobrenome.

O problema desta mulher, que trabalha em um hospital privado, não é, infelizmente, um caso isolado, já que o mesmo problema sofreram outras colegas de profissão.

Nem ela nem seus colegas se atrevem a apresentar queixas formais contra esse abuso.

“O protesto só nos prejudica mais, já que a notícia chegou até nossas famílias, e a maioria das enfermeiras já têm problemas para convencer seus familiares de que as deixem trabalhar nesta profissão”, disse à Efe outra sanitária, identificada como Rash, de 29 anos.

Ela considera que esta situação é gerada porque a sociedade saudita não está acostumada a que a mulher desempenhe esse trabalho.

Rasha, que explica que devem cobrir o rosto com um véu, enquanto desempenham seu trabalho, que detém os meios de comunicação de ter parte de culpa em seu desprestígio, ao publicar notícias sobre “relações carnais” dentro de hospitais, entre enfermeiros e médicos, ou entre elas e de algum paciente.

Rasha lembra com frustração que um jovem estava entusiasmado com a idéia de casar-se com ela, mas seus amigos e parentes mofaron dele e o criticaram até o ponto de obrigá-lo a pôr fim ao namoro.

Esta situação tem levado a muitos a abandonar a enfermagem e trabalhar em outra área.

“Três dos meus colegas não consegue o que vivem, deixaram seus trabalhos e decidiram procurar outros ou ficar em suas casas”, conclui Rasha.

O domínio médico é o único em que é permitido que a mulher saudita trabalhe junto ao homem, já que a legislação do país proíbe a mistura dos sexos em instituições, fábricas e lojas.

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O número total de enfermeiros da arábia saudita atinge um total de 18.911, de acordo com o jornal árabe “Al Hayat”.

“Meu pai e meus irmãos tentam convencer-nos para que abandone o meu trabalho, mas eu insisto em continuar e desafiar as circunstâncias. Nós somos a primeira e a segunda geração, que trabalham nesta profissão, por que esse desprezo para nós mudará com o passar do tempo”, indica Maram, de 24 anos.

Embora não sejam abundantes, em alguns casos, as famílias apoiam as jovens enfermeiros, como a Salma, que diz que seu pai a apoia com força e a encoraja a prosseguir com a sua carreira profissional.

“Não se opôs em absoluto a minha entrada na faculdade de Enfermagem, porque é um homem aberto e consciente, embora de todas as formas, continua-me e preocupando-se por mim”, destaca.

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